CUT Paraíba encerra calendário de atividades do ano com plenária de avaliação e discute estratégias de ação para 2019

20/12/2018 - 09:59

A plenária reuniu secretários da Central, dirigentes sindicalistas e representantes dos movimentos sociais e políticos


A atividade foi realizada na última sexta-feira(14/12), no Espaço de Lazer e Formação do Sintricon, em Santa Rita, reunindo a diretoria da central, diversos sindicatos da base cutista, parlamentares do PT, a exemplo do deputado federal Luiz Couto,  deputado estadual Anísio Maia e o vereador de João Pessoa, Marcos Henriques, além da representante do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra.

A programação teve início com a formação de uma mesa política, comandada pelo presidente da CUT, Paulo Marcelo, o secretário geral, Joel Nascimento e a Secretária das Mulheres Trabalhadoras, Luzenira Linhares, tendo como convidado o deputado federal Luiz Couto, que contribuiu com as discussões. A primeira parte da plenária foi encerrada com uma homenagem aos trabalhadores sem terra, Orlando e Rodrigo, assassinados no acampamento Dom José Maria Pires, em Alhandra, no dia 08 de dezembro.

Após a mesa inicial, a programação teve continuidade com a palestra sobre análise de conjuntura e as perspectivas para 2019, com o professor da UFCG, sociólogo Mário Ladosky. Ele começou sua explanação dizendo que o presidente eleito apresenta uma proposta conservadora para a sociedade, em todas as áreas de atuação, que afetará em especial a classe trabalhadora.
Segundo Ladosky, os trabalhadores e suas entidades representativas irão enfrentar enormes dificuldades, “ sobretudo porque, no decorrer das últimas décadas, não nos preparamos para ajustar nossas ações às profundas mudanças estruturais que ocorreram (e ainda vêm ocorrendo) no capitalismo contemporâneo no mundo inteiro. Em poucas palavras, mudou profundamente o perfil da classe trabalhadora (em aspectos quantitativos e qualitativos) e não conseguimos dialogar com a maioria dos trabalhadores e trabalhadoras na atualidade. Isso agrava ainda mais a dificuldade na conjuntura que se abre a partir de janeiro”, ressaltou.

Por outro lado, o professor Mário Ladosky apresentou alguns passos a serem dados na caminhada pelos movimentos sindical e social., Como principais bandeiras a serem encampadas de imediato ele cita a questão de todos direitos em geral, com ênfase nos direitos trabalhista e da previdência. “A questão da democracia também deve estar na pauta, sobretudo com a bandeira #LulaLivre. E a questão da soberania nacional também deve estar na agenda dos movimentos”, destacou o sociólogo.

Ladosky acrescentou que não acredita no fim dos sindicatos, mas que o movimento sindical para sobreviver precisa reinventar-se. “Como foi dito pelo presidente da CUT-PB,,esse é o grande desafio! Reinventar-se em um contexto tão adverso como o que se inaugura em janeiro. Reinventar-se passa por novas formas na relação Direção-Base, que seja mais horizontal, em rede, tendo por base a mais ampla participação dos trabalhadores na elaboração das propostas da ação sindical. Passa também por ter novas formas (repertórios) de ação política e de comunicação com os trabalhadores. Passa ainda por ter uma ação fundada na construção de laços de solidariedade entre os trabalhadores assalariados (incluídos) e a imensa massa de excluídos que tendem a crescer”. Essa foi a conclusão da análise de conjuntura feita pelo professor e sociólogo Mário Ladosky aos sindicalistas reunidos na plenária da CUT.

O presidente da CUT, Paulo Marcelo, que encerrou a plenária, também concorda que uma nova forma de fazer sindicalismo tem que surgir, mas também resgatar a volta ao trabalho de base, os sindicatos mais próximos dos trabalhadores. "A perseguição aos trabalhadores assalariados e ao movimento sindical tende a aumentar com esse novo governo. Razão pela qual a nossa mobilização tem que ser constante, fazendo oposição intransigente à retirada de direitos que já vem acontecendo. Tudo isso deve ser encarado pela classe trabalhadora como um dos maiores prejuízos dos últimos setenta anos. Por isso que eu chamo a atenção para uma nova forma de fazer sindicalismo sem perder o foco na defesa dos direitos dos trabalhadores", completou o presidente da CUT-PB. diz.

A maioria dos representantes sindicais usou da palavra no tempo destinado ao debate, com intervenções qualificadas, algumas angustiadas, mas esperançosas com a capacidade que todos demonstraram de investir na luta. A plenária da CUT foi encerrada com um almoço de confraternização.